O que a Fé e o Esporte têm em comum?

Uma campanha recente da Nike, intitulada “You Can’t Stop Us” 1 , traz a seguinte mensagem – em tradução livre: “Nunca estamos sozinhos, e essa é a nossa força. Porque quando duvidar em de nós, jogaremos como um só, quando nos segurarem, iremos mais longe e com mais intensidade. Se não nos levarem a sério, provaremos o contrário, e se não nos encaixarmos no esporte, nós mudaremos o esporte!”

Penso que a história da Igreja Católica seja a demonstração disso. E é realmente difícil encaixar uma fé com seu cerne atemporal em um mundo material, centrado na temporalidade. Nós cristãos, muitas vezes, somos confrontados e duvidam de nós. Será que nós é que devemos nos adaptar ao mundo ou, justamente por visarmos às coisas do alto, será que nós não devemos mudar o mundo?

Essa breve reflexão demonstra que a fé e o esporte têm algumas coisas em comum.
Minha história no Emáus traz bastante disso. Antes mesmo de participar do retiro, meu amigo Felipe Zaleski – aquele que viria a ser meu padrinho de Emaús – já havia me convidado para algumas partidas de futebol em seu condomínio. Aquele grupo, formado por jovens do Movimento de Emáus, me chamou a atenção desde o início, porque jogavam de uma forma leve, sem aquela competitividade acirrada com que estamos tão acostumados no futebol.

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O grupo de futebol do Emaús acabou sendo denominado de FUTEBÁUS. O primeiro evento dessa nossa geração do Emaús foi organizado em 2011 no Colégio Catarinense. O registro desse momento, um convite virtual para aquele feriadão com Emaús, é guardado por mim até hoje, com muito carinho:

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Os laços no Futebaús foram estreitando-se e os encontros tornaram-se semanais. Depois de passar pelas quadras dos condomínios dos integrantes do grupo, como Felipe Zaleski e Fernando Cani, o Futebaús passou a acontecer no Paula Ramos, na Amovim e, posteriormente, no SESI, local onde, há até pouco tempo atrás, nos encontrávamos toda terça e todo sábado.

Em novembro de 2015, foi marcante o fato de o Futebaús ter sido o responsável pela liturgia da missa do Emaús, assim como o fazem os grupos de jovem do movimento.

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Anteriormente, naquele mesmo ano de 2015, um acontecimento importante que iniciou no Futebaús marcou a minha vida: por não estar frequentando de modo tão assíduo as atividades do movimento naquele momento, foi dentro do Futebáus que conheci e convivi com aquele que viria a ser meu melhor amigo: Murilo Spinola. Não teria palavras para descrever a importância da amizade dele em minha vida hoje. Sou muito feliz por dividir com ele minha profissão, tendo sido convidado para ser seu padrinho quando ele recebeu sua OAB:

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Voltando à temática do texto, acredito que um ponto interessante dessa questão da fé e do esporte talvez seja o mistério que permeia o surgimento de atletas de alta performance, bem como o mistério do surgimento da fé.

Quanto ao primeiro aspecto, não saberia dizer o que faz surgir um Cristiano Ronaldo ou um Messi, um Usain Bolt ou um Michael Phelps.
No que concerne ao surgimento da fé em cada Cristão, gosto muito da explicação de um católico que talvez seja conhecido de alguns: Ícaro de Carvalho. Ele afirma que a primeira coisa que temos que entender é que a fé não deriva de um processo racional, no qual, após investigar variáveis e visitar todos os documentos o agente conclui, como Newton concluiu que havia gravidade: Deus existe!

A aquisição da fé, segundo ele, é antes de mais nada um processo místico, sintetizado pela Igreja em sua antiga sabedoria com a frase: “a fé é graça”.

C. S. Lewis, no livro “Cartas de Um Diabo a Seu Jovem Aprendiz”, com a precisão que lhe é peculiar, descreve o estado de graça – cuja sensação muitos são capazes de vivenciar nos retiros de Emaús – da seguinte forma: “O Inimigo [Deus] quer deixar o homem num estado de espírito no qual ele poderia projetar a melhor catedral do mundo, ter consciência de que é a melhor, alegrar-se com o fato, e ainda assim não ficar nem um pouco mais (ou menos) contente por tê-la feito do que ficaria se a catedral tivesse sido projetada por outra pessoa”.

Acredito que, ao revisitar toda essa minha história vivida no Futebáus, posso reconhecer que ela foi permeada de graça, e envolve nada menos do que meus dois melhores amigos hoje!

Quanto ao grupo Futebaús, hoje somos mais de 70 pessoas, e são muitos os exemplos de pessoas que ingressaram primeiro em nosso grupo, participando conosco das partidas, para depois participarem do Emaús.

O último evento realizado no final de 2019 foi um torneio com 5 times e cerca de 50 jogadores, em um dia inteiro de jogos que foi muito especial:

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Para encerrar, gosto muito da frase de um ídolo do esporte, que também chamou a atenção por sua fé: “Seja quem você for. Seja qualquer posição que você tenha na vida, no nível altíssimo ou mais baixo, social.
Tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá, de alguma maneira você chega lá” (Ayrton Senna).

Ou, ainda, dito de outro modo: “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive” (Ricardo Reis).

Que possamos buscar justamente esse brilho do Alto e, quando tudo isso passar, nos reunirmos novamente, tanto no Movimento de Emáus, quanto no Futebáus. Sinto mais a falta do convívio que tínhamos antes, durante e depois dos jogos, do que propriamente do esporte em si!

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Artur Vinícius Zimmermann Fontes

Advogado, ex-surfista, filho do Bob e da Beth. Tento colocar o quanto sou no mínimo que faço.

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