Como criar e engajar um grupo de jovens?

Antes de falar sobre como criar e engajar um grupo de jovens, acho necessário refletir sobre: por que um grupo de jovens?

Certa vez ouvi uma analogia que para mim fez todo sentido: quando vamos sozinhos à academia, corremos o risco de desanimar com o tempo. Deixamos para uma outra hora, “hoje não tenho tempo”, “hoje não estou a fim”, “está tão frio ou chovendo”, e logo cancelamos a matrícula.

A perseverança se torna mais fácil quando temos companheiros, pois passamos a ter um compromisso também com o outro, de não se deixar desistir. O mesmo acontece com nossa pratica de fé. Se nos isolamos, podemos mais facilmente ser vencidos pela preguiça, pelo materialismo ou pelo egoísmo. Quando estamos em grupo, somos fortalecidos, podemos falar e nos ocupar daquilo que realmente importa, o que nos ajuda a nos manter no rumo certo. 

Eu me chamo Letícia Zacchi Adriano, tenho 22 anos.

Ao analisar a minha vida, consigo ter a nítida visão de que meus momentos mais próxima de Deus, em que de fato consegui exercer a minha fé, foram em grupos de jovens. Com 14 anos comecei a participar do grupo de jovens FACE, da paróquia da minha cidade. Participei do grupo intensa e assiduamente por dois anos. Foram dois anos incríveis, onde fiz amizades maravilhosas e pude sentir o êxtase de uma amizade verdadeira COM Deus e amizades verdadeiras EM Deus. Acabei parando de participar por causa do terceirão e vestibular, mas com a certeza de que isso não afetaria minha proximidade com Deus e minha vida de fé. Errei. Nessa fase tudo era motivo para não ir à missa, para não estudar a bíblia e até rezar, às vezes, passava batido. As preocupações terrenas tomavam conta da minha rotina e era muito mais difícil perseverar na fé. 

Com 18 anos, em 2016, fiz o retiro do Emaús.

Um reencontro, uma redescoberta e uma vontade gigante de seguir no rumo certo. Uma chama muito forte de fé e amor se acendeu no meu coração. Achei que conseguiria, sozinha, manter essa chama acesa. Consegui sim, por um tempo, mas logo o mundo fez com que ela fosse se apagando e sendo novamente esquecida. Até que em 2017 recebi um convite, iluminado por Deus, para que eu começasse a participar do grupo Nossa Senhora de Fátima, do Emaús. E foi então que a minha verdadeira história de conversão começou, em grupo. Desde que entrei, com mais maturidade, consegui ver com clareza a forte influência que um grupo tem na minha vivencia de fé e decidi que não me permitiria, nunca mais, me afastar.

Hoje participo de 3 grupos do Emaús: Nossa Senhora de Fátima, Marcelo Câmara e São Valentim (de casais de namorados). Ainda participo do departamento de Artes e do 4º dia. O 4º dia, por sinal, é o departamento do Emaús responsável por cuidar da perseverança dos jovens e dos grupos.

Bom, o grupo Marcelo Câmara é o motivo desse texto. Em 2018, surgiu a vontade de criar um grupo de jovens do Emaús em Palhoça, visto que muitos jovens “do lado de cá da ponte” estavam fazendo o retiro e parando de participar do Movimento pela dificuldade de frequentar grupos em Florianópolis. Eu não queria que ninguém corresse o risco de ter sua chama apagada, como eu corri. Então, junto da minha família e alguns amigos, decidimos criar um novo grupo de jovens.

Convidamos alguns amigos que achamos que poderiam se interessar e marcamos a primeira reunião. O que falar? Como fazer? Quem conduzir? O que estudar? E se falarmos algo errado? Eram questionamentos constantes durante as primeiras reuniões. Mas o Espírito Santo, desde o começo, estava sempre presente cuidando de tudo.

No início, o grupo era minha família e mais uns 5 amigos nossos. Algumas reuniões eram mais cheias, porque alguém convidava algum amigo.. Outras eram praticamente vazias, com 3 pessoas. Parecia que não ia dar certo, as reuniões eram ainda desorganizadas e com pouca profundidade, mas por estarmos em grupo, a perseverança se tornava mais fácil. E desde o começo, mesmo com as reuniões vazias, não estávamos sozinhos, pois Ele mesmo nos disse que onde 2 ou 3 estiverem reunidos em Seu nome, ali estaria Ele.

Com essa força, fomos perseverando e nos fortalecendo na fé. Laços foram sendo criados e fortalecidos. Até que, chegou um dia em que nos deparamos com um grupo cheio. 20 pessoas. Em tão pouco tempo. 

Como o grupo surgiu a partir de uma família e amigos, desde o início era um lugar de liberdade, confiança e entrega. Cada um, desde o começo, se sentia “em casa” e podia ser quem realmente é. Os laços sempre foram muito intensos e verdadeiros.

Cada novo membro que decidia conhecer o grupo, se deparava com alguns jovens com ânsia de conhecer sempre mais a Deus e buscar seguir Seus passos, com uma alegria contagiante e com relações de amizades extremamente fortes, profundas e sinceras. E tinha vontade de fazer parte disso.

Assim criamos o grupo Marcelo Câmara, que é muito mais que um grupo que se reúne semanalmente para as reuniões, é uma grande família. É um lugar onde compartilhamos nossas vivencias de fé, nossas experiências com Deus, nossas alegrias, nossas dúvidas, nossos medos, nossos problemas. É um lugar onde pedimos orações e encontramos várias pessoas dispostas a dobrar os joelhos e rezar por nós. É um lugar onde estudamos, nos aprofundamos na fé e aprendemos MUITO. É um lugar em que encontramos amigos com os mesmos valores e propósitos. É um lugar onde nos divertimos, rimos, fazemos festa. É um lugar onde encontramos pessoas que nos ajudam a viver nesse mundo, mirando lá em cima. É um lugar onde não existe competição e julgamento. É um lugar onde conseguimos sentir, através do amor e da cumplicidade envolvidos, um pouquinho do céu. 

Mas e na pandemia? Já que não podemos nos reunir, significa que a chama vai esfriar? Como perseverar na fé?

Arrisco dizer que o grupo está ainda mais forte nessa fase. O fato de não poder ter reunião presencial exige mais disciplina e motivação de quem está à frente do grupo, para manter a vontade dos membros de participar.. Mas a entrega nas reuniões e a paz que estas podem trazer, fazem com que o grupo só se fortaleça. 

Muitos relataram estar passando por uma fase bem difícil, mas que encontram no grupo sustendo e esperança, foco no que realmente importa. E esse é o propósito, né? 

Alguns acabam se afastando por problemas pessoais, mas o ideal do grupo é estar ali para puxar e resgatar aqueles que, por algum motivo, se distanciam. É ter sempre alguém para perguntar se está tudo bem, oferecer uma conversa ou simplesmente orações. Ter amigos para festejar os momentos de alegria e, principalmente, para ajudar a ressignificar e superar os de tristeza. São amizades responsáveis por nos aproximar de Cristo e não nos deixar escapar do rumo certo. 

Para quem não tem esse privilégio que é participar de grupo, mas ficou com vontade:

Bastam dois ou três, a vontade de se aproximar dEle, amor, alegria e a coragem de começar. Ele estará presente e transformará esse sim em um verdadeiro tesouro.

Apaixonada pela família, amigos e tudo que me aproxima que Deus

Letícia Zacchi Adriano

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