O teatro em Emaús: O “Day by Day” de Porto Alegre

Ouvir música “Day by Day”:

Olá! Sou Dayse Matias, do Emaús de Porto Alegre.

Se eu quiser falar de amor, amor de verdade, basta pensar no Grupo Cantar a Esperança, que durante quase trinta anos viveu esta experiência de amor e doação.

Jovens do Emaús, CLJ e EJC estivemos juntos ensaiando sábados, domingos e feriados para levar aos palcos do Theatro São Pedro, da PUCRS, do CIEE, do GBOEX em Porto Alegre, do Teatro Álvaro de Carvalho em Florianópolis, Sete de abril em Pelotas, São Borja, Cruz Alta, Rio Grande, a vida de Jesus, nosso Deus.

Tudo começou em outubro de 1985 quando meu grupo “Arco Iris” foi convidado para fazer uma Maranatha de Natal, eram seis cantoras- Miriam Rampom, Jack Brasil, Jaque Pedrosa, Yeda Rhoden, Helena Ranzolin e Nana, todas com uma voz linda. Quando nos reunimos e disse para elas que queria fazer algo diferente: a Ópera Rock Godspell da Broadway, acho que todas nós sabíamos a história que aconteceria em nossas vidas por muitos anos. Havíamos visto o filme, na década de setenta, e lembrávamos que era o Evangelho do Batismo de João Batista até a Ressurreição. Mas tudo estava só na nossa cabeça.

Fizemos um retiro em um final de semana pedindo que o Espírito Santo nos iluminasse para escrever o texto. Transformar o Evangelho em diálogos teatrais foi apaixonante, Jesus com sua forma tão especial de falar nos inspirou, mas ainda faltava traduzir as músicas, adaptá-las para o português e criar a coreografia para 14 músicas (onde não tínhamos nenhum dançarino) foi obra divina.

Tínhamos um Long-Play do filme “Godspell” de 1975. Que tarefa desafiadora foi fazer isto, mas quando Deus quer nada dá errado.

Godspell – A Esperança tem sessão gratuita no MISS nesta sexta ...

Precisávamos de arranjos musicais; meu filho Matias, tocava a guitarra, a mãe do Ronald tocava piano e o irmão de uma das gurias bateria. Assim surgiu nossa primeira banda.

Microfones, nem pensar, todos cantavam e dançavam ao mesmo tempo. Foi incrível e emocionante ver os anos se passarem e Day by Day se transformar de uma simples Maranatha em um espetáculo que poderia se apresentar em qualquer teatro em qualquer lugar.

Fomos muitos. A cada temporada se modificava o roteiro para a mensagem ser mais atual. Nunca a Peça se repetia por isso os Teatros sempre ficavam lotados. Nenhum de nós anteriormente ligado ao teatro, mas cada um profissional ou estudante mas com uma única vocação: levar a Palavra de Deus e doar a renda para instituições necessitadas.

Em 13 de dezembro de 1985, fizemos uma Maranatha chamada “Cantar a esperança” no Teatro Dante Barone, da ALERGS e até 2014, nunca paramos. Quase vinte mil pessoas nos assistiram. Convertemos muitas pessoas que foram nos ver e também muitos de nós fomos convertidos.

O Espírito Santo sempre nos iluminou, porque nada foi feito sem muita oração. Todos rezávamos muito para ter a Graça de Deus. Não fazíamos nenhum ensaio sem rezar no começo e no fim, fizemos Retiro a cada temporada para reiniciar e nos dias de apresentação tínhamos um Sacrário nos camarins para termos Jesus conosco e só entrávamos em cena depois de recebermos a Eucaristia.

Depois de uma das temporadas recebi uma ligação da Rádio do Vaticano nos parabenizando por Day by Day- a História que todo mundo conhece, dizendo que a Igreja precisava de muito mais pessoas para levar a mensagem de Deus com um novo método e um novo ardor.

Mais de duzentas pessoas participaram deste trabalho maravilhoso e foram importantes pela continuidade por 30 anos, pedi a elas para compartilhar com vocês como, para elas, foi à emoção de fazer Day by Day.

Joca Farias, minha contra regra que me auxiliou nos bastidores:

“Day by Day, a história que todos conhecem. Apesar de ser uma história que muitos conhecem, me sinto privilegiada por ter vivido intensamente essa história. Falar de Day by Day é falar de Deus, de uma vibrante e profunda experiência de Deus.

Eu assisti à Maranatha de Natal, em 1985 e amei. Gostei tanto que resolvi que assistiria sempre que a peça fosse reapresentada. E comecei a realizar esse propósito assistindo a segunda montagem da peça. Mas, a partir de então, não assisti mais. Por graça de Deus, a partir deste momento, passei a ajudar o pessoal a levar o espetáculo adiante.

Foi uma colaboração discreta, “por trás das cortinas”. Eu sempre gostei mais dos bastidores e de lá presenciei as cenas mais engraçadas e também as mais emocionantes.

Nem sempre o lugar da apresentação nos oferecia espaço adequado para o trabalho de bastidores. Apresentamos a peça, por exemplo,  num teatro onde toda a função  acontecia num espaço muito pequeno e escuro, ao lado do palco. Ali se acomodava todo o material usado em cena e os figurinos e acessórios utilizados pelo elenco, se faziam as rapidíssimas trocas de roupas dos personagens e ali, também, a gente esbarrava nas araras, tropeçava nos canhões de luz, na fiação, nas caixas de som…

Image 2020-08-02 at 9.44.18 PM.pngMas foi ali que senti a força da palavra vivida a cada vez que quem representava Judas, saía da cena da traição, abalado e chorando, sofrendo de verdade pelo pecado cometido ao negarmos o Cristo que cremos.

Era de lá, das coxias, em meio a passagens de som, marcação de posições no palco, maquiagem,  arrumação de roupas, perucas, objetos, enfim, entre a agitação dos últimos preparos para o espetáculo, que eu percebia o esforço silencioso e sincero de cada um para dar seu melhor na transmissão da mensagem de amor nos dada por Jesus.

Foi na pouca luz dos bastidores que assisti o brilho envolvente dos sorrisos e das lágrimas vindas do palco e da platéia, estampadas no rosto dos que se entregavam, de coração, à verdade trazida nas passagens do Evangelho.

E, com certeza, daquele recôndito lugar fui testemunha da alegria revelada pelas palavras de Jesus, alegria que vem d’Ele e que é completa naqueles que vivem e trabalham a serviço da Fé.

Ao longo dos muitos anos de vida do Day by Day, meus filhos nasceram, cresceram e se juntaram a nós no anúncio da Boa nova, também impulsionados pelo sopro inovador do Espírito Santo.

A vivência do Day by Day me acompanhará prá sempre por que reafirmou em mim –  e ensinou aos meus filhos – que Evangelizar é a nossa Missão.

Agradeço e peço a Deus que novas formas de amar ao próximo nos levem novamente à paz e à felicidade de colaborarmos na construção do Reino de Deus.”

Ronald Freire, meu maestro, do coral; que foi meu primeiro João Batista:

ron“A arte de interpretar deve ser muito diferente do que vivi nestes anos de Day by Day uma vez que jamais pensei em ser ator. É muito difícil descrever o que vivemos quando encarnamos personagens marcantes como os do Evangelho de Jesus Cristo.

Ainda jovem de vinte e poucos anos pude sentir com amigos o que é sorrir, chorar, e, principalmente, viver no palco esse Evangelho. Cada sermão, cada parábola, cada meditação e gesto de Jesus ali tão perto de mim e destes amigos, se utilizando de umas das artes a que mais me identifico desde criancinha: a música.

Ah, a música que me embalou a vida inteira sendo porta voz de um Deus vivo no palco de tantos teatros nestes 30 anos. Ter podido servir este tempo todo cantando no coral e apoiando os atores, ajudando a embelezar este espetáculo foi e será sempre uma missão de prazer e satisfação.  Obrigado, Deus, por me colocar neste caminho, e aos amigos pelo companheirismo e dedicação na busca incessante de cantar a Esperança: Jesus Cristo.”

*Aos leitores do Blog Reflexão Católica: Ronald também já escreveu um post, 30 anos do grupo “João Batista” e a Graça de Deus

Ricardo Azambuja, meu primeiro Cristo:

“A peça “Day By Day” foi um marco em minha vida. No início dos anos 80 ingressei no Movimento de Emaús pelas mãos da minha “dinda” Dayse e, desde lá, uma longa caminhada que já dura 37 anos. Alguns anos depois, fui convidado para encenar Cristo, naquela que seria a equipe original da peça. Não sei se pela barba que eu tinha na época, ou por outra razão qualquer, mas o convite veio e foi aceito com enorme alegria e responsabilidade. A tarefa, que inicialmente parecia difícil, não foi tão árdua, pois foi amenizada pela companhia de grandes amigos que estavam ao meu lado no elenco, nos bastidores, na banda (que sempre foi ao vivo).

Tudo naquele momento era um mistério. Tínhamos um texto que recém fora adaptado, algumas músicas traduzidas que deveriam ser arranjadas, coreografias que nós mesmos inventávamos, mas a vontade que tudo desse certo era enorme.

Pois depois de meses de ensaios, momentos difíceis, mas muitos momentos de diversão, fizemos nossa primeira apresentação Quanta emoção!!! O frio na barriga, na espinha, no corpo todo, foi forte, mas a entrega em oração foi por demais emocionante e fortalecedora.

Bem, é hora de iniciar tudo e colher os frutos plantados. Que seja feita a Vontade de Deus. Aí, vinha o momento que me escondia no meio da platéia e após a música inicial caminhava lentamente para o palco. E a partir da mensagem: “Este é o Meu Filho muito amado a quem entrego todo o meu amor”, é hora de atuar. Agora não tinha mais volta.

Gratificante demais dividir o palco com amigos tão amados (não vou citar os nomes, pois faria uma injustiça se não lembrasse de alguém). A peça reunia todos os ingredientes para emocionar a platéia e levar a mensagem do Cristo aos corações, intercalando comédia, drama, narrativas, contando diversas parábolas, para os diversos públicos. Para mim, um dos momentos marcantes, aconteceu quando fomos convidados a encenar em Florianópolis e chegamos à cidade na véspera, à noite. O pessoal do Emaús de lá nos recepcionou em uma capela, fazendo um corredor de velas, da saída do ônibus ao sacrário, nos conduzindo a um momento de oração e louvor, bem junto do Cristo. O Emaús de Florianópolis e de Porto Alegre em profunda comunhão. Esta cena nunca me saiu da memória. Foi muito lindo e até hoje sou muito grato por isso.

Poder contar a história do Nosso Cristo, vivendo aqueles momentos, mexe profundamente com nosso coração. E por isso a “entrega” é tão importante. Durante a peça, mesmo com muitos momentos divertidos e legais de encenar, o que sempre me tocou profundamente foi o momento da Eucaristia, quando uma forte luz se projetava sobre uma toalha branca e, junto a todos os atores revivíamos a Santa Ceia. Se isto ficava marcado no

público, para nós este era um momento muito intenso, emocionante. Já confessei a amigos que, em todas as missas que participo, no momento da Eucaristia, sempre me vem este ato à cabeça.

A peça “Cantar a Esperança” foi uma benção de Deus para todas as nossas vidas, foi muito iluminada, foi realmente obra do Espírito Santo, uma verdadeira oração de louvor ao nosso Querido Jesus.

Sou muito grato a tudo que vivi e a todo o crescimento espiritual que tudo isto me proporcionou. Sou muito grato também a nossa mentora, diretora, que tanto se sacrificou para que sempre pudéssemos levar esta Mensagem de Espiritualidade a tantos recantos.”

Felipe Colvara, meu segundo Cristo que se converteu sendo Jesus:

“A experiência de interpretar Jesus no palco está para além da arte, do desafio pessoal de se colocar à frente de uma platéia, mesmo não sendo ator por profissão. A idéia de ser Jesus me fez vivenciar o que acredito ter sido a mais importante e mais intensa experiência de Deus na minha vida. Cada vez que dizia uma palavra, fazia a tentativa de transmitir no meu gesto corporal e, principalmente, no olhar, o gesto de Cristo, o olhar de Cristo.

Essa experiência de apresentar o divino sendo inteiramente humano me transportou ao coração de Deus. O amor que eu sentia transbordar de mim enquanto estava no palco me fez entender o quão pequeno é a minha capacidade de amar, frente ao amor de Deus por cada um de nós especialmente. Interpretar esse personagem foi para mim o verdadeiro anúncio do amor de Cristo. Foi decisivo na minha conversão e em toda a minha caminhada até aqui e, tenho certeza, ainda seguirá ecoando no meu coração para sempre.”

Clique aqui para conhecer o trabalho de Felipe Colvara no Spotify.

Silvio Almeida Jr., meu Cristo apaixonado por Jesus:

“Algumas experiências na vida nos marcam para sempre. Ter o presente de interpretar Jesus Cristo foi incrível! Em cinco anos em que vivi essa experiência pude provar a grandeza do amor, o poder curativo do perdão, À força transformadora da esperança. Quando estávamos no palco cantando e interpretando a mensagem do evangelho era  possível entrar no coração de cada pessoa que estava na platéia. Era possível sentir a suas dores, e de alguma forma, oferecer  nossas mãos para acalentar e nossa abraço para acolher, através da arte. Era possível perceber a vibração da suas vidas, e de alguma forma celebrar a grandeza do amor junto com cada uma delas. Cada vez que eu me encontrava no palco do teatro eu tinha que encarar todas as minhas fragilidades, as minhas limitações, tudo aquilo que eu tenho que não é nem um pouco bonito e ao mesmo tempo eu pude encontrar o magnífico amor que tudo restaura, que tudo salva, que tudo transforma e que é a força mais potente do universo. Eu fui marcado e transformado para sempre por essa experiência.

Não preciso fazer grandes forças para me lembrar de tantas pessoas que eu abracei e meio a lágrimas de alegria e muita vida! Lembro-me de como o grupo teatral era unido e de como quando estávamos no palco tínhamos uma só voz, um só coração e um só espírito. Eu costumo dizer que Deus é muito caprichoso no seu amor com cada um de nós, e  de uma maneira muito especial ele me deu o presente de estar no palco levando um pouco da sua face para muitas e muitas pessoas. Quando eu fecho meus olhos e começo a recordar de cada cena interpretada, me lembro que estava no palco, eu conseguia ser um canal para que o amor chegasse até as pessoas. Não somente eu, mas todos os músicos, atores e equipe técnica unidos no mesmo espírito!

Muitas vezes eu senti como se estivesse tirando pedaços do meu próprio ser para entregar as pessoas e que esse movimento não parava porque na verdade ele estava sendo alimentado por uma fonte inesgotável de um amor muito maior do que eu. Uma fonte inesgotável, solidária, intensa, apaixonada por cada um de nós.

Recordo-me, como se fosse hoje, uma noite em que cheguei em casa depois do espetáculo. Estávamos com 500 pessoas no Teatro, e quando a peça acabou era difícil dar conta da energia e da alegria que vibrava em cada rosto e em cada coração. Quando deitei minha cabeça no travesseiro  para descansar, estava exausto, mas o sentimento era tão pleno que se a minha existência findasse naquele minuto eu estaria me sentindo como uma pessoa completa, que viveu a vida na sua intensidade, na sua beleza, que mergulhar no infinito e magnífico milagre de amor que é a própria vida!”

Miriam Rampom, participou desde o começo até o fim, cantora, artista e escreveu a letra de várias músicas:

“Não é fácil descrever uma experiência que se teve ao longo de quase 30 anos, mas é inevitável que isso nos traga a alegria de reviver momentos inesquecíveis.

A idéia de transmitir a mensagem de Jesus Cristo de uma maneira mais cativante sempre me foi um desafio. A música era o instrumento onde mais me sentia perto de Deus e percebi que, para multas pessoas, isso também acontecia. Assim, Day by Day surgiu como uma possibilidade de alcançar corações através de sons, palavras e mensagens que se encaixavam numa estória adaptada aos tempos de hoje. Imaginar Jesus entre nós nos dias atuais e contar suas passagens e propostas de vida era algo que tocava profundamente tanto quem trabalhava com o espetáculo quanto quem o assistia. Talvez por isso, esta maneira diferente de evangelizar tenha prosseguido por tanto tempo já que, em sua essência, seu próprio nome dizia que precisávamos cantar a esperança de um Deus vivo e presente entre nós. Um Deus que acolhe, alegra, compreende e conforta o que é humanamente imperfeito.

Foram muitas alegrias, descobertas, responsabilidades, esforços, aprendizados e desafios. Mas, quando as cortinas se abriam e o espetáculo começava,  a sensação de felicidade consagrada pela reação emocionada e participativa da platéia era indescritível. Ao final de cada temporada de apresentações, as perguntas de quando seria a próxima vez eram inevitáveis.

Day by Day foi a experiência que possibilitou a compreensão mais profunda e real de “quem canta, reza duas vezes”. A música é a linguagem da alma e se ela contiver palavras que traduzam o amor em sua essência,  não há quem não se sinta tocado em seu coração. Se pudermos resumir a mensagem evangélica de Jesus, certamente encontraremos seu ponto mais central no amor ao próximo como a si mesmo e se quisermos que as pessoas se abram à mensagem cristã,  é preciso anunciar isso das maneiras mais diversas possíveis. Deus está em altares de templos, mas também pode estar em músicas, teatros e em diferentes lugares. Foi exatamente isso que Day by Day buscou e, de alguma maneira, alcançou em toda sua trajetória. Afinal, a “nossa boca fala daquilo que o nosso coração está cheio”. Fazer parte do espetáculo Day by Day foi uma oportunidade maravilhosa de sentir e de viver o amor de Deus em minha vida.”

Luciano Hossen, meu regente da banda:

(Luciano está tocando guitarra na foto!)

“Assisti ao Day by Day a primeira vez em 2004, no Theatro São Pedro, e fiquei muito impressionado. A combinação banda + coral + elenco me deixou sem palavras. A alegria contagiante das personagens e os “cacos” do Xingu e Rogerinho foram impagáveis. A emoção de ver a história de Cristo contada daquela maneira diferente mudou minha idéia sobre evangelização. Pensei: bah queria eu estar lá tocando e participando disso tudo… E, como nada acontece por acaso, pouco tempo depois fui convidado para integrar o time com as feras La Falce, Chicão, Magrão e Richard.

Em 2005 lá estava eu no palco, substituindo o baixista que fora morar em outro país. Histórias de bastidores? Muitas! Como esquecer quando fomos nos apresentar no interior, e havia um morcego voando pelos corredores do hotel em que estávamos hospedados? O Silvio tentando pegar o bicho e a mulherada toda correndo pra lá e pra cá; e o Magrão que pintou de verdade o cabelo cor “vermelho pica-pau” pra peça, e depois ficou uns seis meses assim; e a “guerra” de sempre entre banda e coral por causa do volume dos instrumentos; e uma vez que recebemos maquiagem profissional e o maquiador queria me levar pra conhecer o apartamento dele em Paris…rendeu boas risadas a insistência.

Aos poucos os integrantes da banda tiveram que ir saindo por compromissos pessoais, o que demandou uma renovação total. Assumi a guitarra no lugar do La Falce; Daniel Philomena segurou as baquetas quando o Chicão saiu; Renan Lunardeli carregou o piano na saída do Richard; Gabriel Carnevale entrou no baixo, e essa é a banda principal até hoje. A amizade dessa união é pra vida toda, e inclusive nos reunimos seguidamente pra tocar todo tipo de música.

Os ensaios todo final de semana eram cansativos, mas sempre surgiam novas falas engraçadas que renovavam as cenas. O cansaço era abrandado pelo convívio com tantas pessoas criativas, alegres, dedicadas, e o mais importante, com o mesmo objetivo: levar a palavra de Cristo através da arte, fazendo valer os talentos que recebemos de Deus.

Em 2014, no último ano de apresentações (por enquanto…), mudei para Santana do Livramento em virtude de concurso público. Jamais esquecerei os 1.000km percorridos a cada final de semana para os ensaios e para as apresentações! Valeu MUITO à pena e faria tudo de novo, sem pensar duas vezes.

Por fim, não posso deixar de citar a admiração que tenho pela Dayse, nossa diretora. A intensidade, a força, a jovialidade com que ela dirigiu a peça durante todos esses anos é algo fora do comum. Somente uma pessoa verdadeiramente apaixonada pelo que faz consegue isso.

Na verdade, agradeço a Deus todos os dias por ter me chamado a segui-Lo de uma forma tão bela, tão prazerosa e tão cativante. Pela música Ele se apresentou a mim; pela mesma via quero louvá-Lo e servi-Lo até o fim.

Obrigado Day by Day por tudo o que passamos e por tudo o que ainda há de vir. Aguardem cenas dos próximos capítulos após a pandemia!”

Dayse: Espero que todos entendam que esta experiência foi por demais emocionante na vida de todos nós e que de certa forma gostaríamos que este sonho nunca terminasse. Foi feito a muitas mãos com amor, dedicação, amizade, por isso precisei dos depoimentos de algumas pessoas que foram o principal núcleo que manteve a chama acesa.

Adoraria que mais alguém fizesse tudo de novo. Só posso dizer: VALEU A PENA!

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Dayse Matias

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