A fé e a escolha da minha carreira

Olá! Me chamo Isabela, tenho 21 anos e faço parte do Movimento de Emaús em Florianópolis!

Há pouco mais de um ano, tive a maravilhosa oportunidade de fazer o 104ª Curso Feminino em Florianópolis, o qual se tornou o protagonista em minha conversão.

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Sou uma pessoa extremamente privilegiada pelas oportunidades que tive em minha vida. Estudei em colégios maravilhosos, sendo eles em sua grande maioria católicos. Mas que apesar disso, nunca tive um contato verdadeiro com Deus. Até o ano passado. Muito me questionei e duvidei diversas coisas que escutava ou lia, mal eu sabia que Ele sempre esteve ao meu lado cuidando de cada mínimo detalhe para que eu passasse a reconhecê-lo tão claramente hoje.

Antes mesmo de iniciar esse testemunho, será necessário uma introdução dos últimos dois anos de minha vida. Para que seja de “fácil” compreensão como cheguei aonde estou, e como sou quem sou hoje.

Muitos me perguntam quando eu decidi fazer Arquitetura e Urbanismo, e na maioria das vezes, nem eu sei responder. Desde muito nova sempre tive um olhar muito voltado para o próximo, e com o passar dos anos, me apaixonei pela ideia de poder construir o sonho de alguém. Sejam eles residências, hospitais, centros culturais..

Aos 17 anos, dei início a este sonho planejado durante muitos anos: A tão sonhada faculdade de Arquitetura e Urbanismo. E apesar de toda a paixão e a certeza que tinha, como uma boa adolescente entrando na fase adulta, encontrei inúmeros desafios.

No ano em que tudo deveria estar num rumo certo, na metade do segundo semestre, desisti. Passei a acreditar fielmente que nunca seria capaz de terminar o curso e que eu não tinha inteligência o suficiente para continuar aquela graduação.

No ano seguinte, interrompi tudo o que planejei durante anos, e em busca por soluções mais “fáceis” cursei um ano de Design. Durante quase um ano (agosto de 2017 – maio de 2018), me vi completamente perdida em todas as áreas de minha vida. Mas quando olho pra trás, tento ao máximo entender que tudo foi necessário para estar onde estou hoje.

Como uma virada de chave, dali em diante passei por um longo e necessário período de amadurecimento, o qual dura até hoje.

Quase que na metade daquele ano, fui diagnosticada com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e por meio disso, passei a ter respostas para as diversas  incertezas e dificuldades que encontrava. Mas, independentemente de todas as atribuições benéficas, ou não, que recebi durante aquele ano, nada pode ser comparado com o ano seguinte.

Em 2019 decidi enfrentar todos esses “monstros” do passado, e voltei a cursar aquilo que me traz felicidade, e um verdadeiro brilho nos olhos: Arquitetura e Urbanismo.

Exatamente como lemos no livro do Eclesiastes:

“Compreendi que nada de melhor há para o ser humano do que alegrar-se com seu trabalho” (Ec 3,22).

Naquele ano, decidi me dar uma chance para recomeçar. E após alguns meses do retorno do curso, pude acender outra “chama” em meu coração. E assim, passei a conhecer o maior amor do mundo: o amor quentinho e aconchegante do colo do Pai.

Morro das Pedras-min

Passei a ter um conhecimento maior do Emaús, e a criar uma curiosidade jamais sentida e imaginada por mim antes, sobre fé e religião. Em abril, com um certo receio, passei a frequentar as reuniões do grupo Marcelo Câmara, o qual serei eternamente grata aos orientadores Liliane e Giovani, por terem me acolhido tão bem e por terem um papel fundamental em minha caminhada.

Um mês após a primeira reunião de grupo, tive a melhor experiência da minha vida. Pude conhecer um “pedacinho do céu” durante o retiro de Emaús. Sem dúvida alguma, ter conhecido uma parte mesmo que mínima do céu, mudou minha vida da água para o vinho.

Pouco tempo após o retiro, entrei no grupo São Francisco de Sales, orientado pela Tia Regina e pelo Tio João. Sou suspeita para falar, mas posso dizer que esse grupo maravilhoso e tão acolhedor, se tornou uma família dentro do Movimento.

Encerramento 2019 SFS-min.jpeg

Quando olho para trás e penso naquele ano em que me vi completamente perdida, posso afirmar sem dúvida alguma que eu nunca estive sozinha. Deus esteve do meu lado cuidando de cada detalhe para que eu pudesse conhecer Ele verdadeiramente, com todo o meu coração, no tempo d’Ele.

Hoje, entendo que a curiosidade que sentia, era um chamado. A busca por caminhos mais “simples” era uma tentativa de passar pela porta larga, como lemos no livro de Mateus:

“Entrai pela porta estreita! Pois larga  é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que o encontram!” (Mt 7, 13,-14).

Diariamente, encontramos milhares de desafios que nos tiram da tão temida “zona de conforto”. Muitas vezes o medo nos impede de fazer inúmeras coisas, até mesmo de realizarmos sonhos.

Acredito que a pergunta que devemos fazer, deve passar de “o que” para “como” podemos fazer para enfrentar o medo e as situações geradas pelo mesmo. Na Exortação Apostólica pós sinodal “Christus Vivit: Para os jovens e para todo o povo de Deus” , com autoria do Papa Francisco, encontramos o seguinte trecho:

“(142) ‘Os mais belos sonhos se conquistam com esperança, paciência e empenho, sem ser apressados. Ao mesmo tempo, não é preciso parar por insegurança; não precisa ter medo de apostar e cometer erros. Sim, deve-se ter medo de viver paralisado, como mortos em vida, convertidos em seres que não vivem porque não querem arriscar, porque não perseveram em seus esforços ou porque têm medo de errar. Mesmo se errares, sempre podes levantar a cabeça e começar de novo, porque ninguém tem o direito de te roubar a esperança.’”

Então você pode perguntar: “Isabela, o que você aprendeu com tudo isso? Como tudo isso pode ser relacionado com a escolha da sua carreira e os desafios enfrentados no início da faculdade?”

Decidi pontuar algumas coisas para que fique mais claro.

Cruz

Passei (mesmo que com dificuldade) a entender que toda cruz é graça. Toda cruz serve para nos trazer um aprendizado. Nunca, em hipótese alguma, Deus nos dá cruzes maiores do que as que possamos carregar.

Não importa quantas cruzes encontrei, e ainda irei encontrar pelo caminho, recebi um chamado para me tornar Arquiteta e Urbanista. De nada adianta tentar atravessar a porta larga, se recebi um chamado. Toda cruz é graça, tudo é experiência e aprendizado.

Tempo e Vontade

Vivemos em uma época que poderia ser facilmente definida pelas palavras ansiedade e impulsividade. A ansiedade é o medo do futuro, uma antecipação a qual não temos controle. Enquanto a impulsividade é a necessidade do imediato.

Muitas vezes me peguei pensando no tempo que “perdi” e atrasei a faculdade, pelo medo e a insegurança que carreguei comigo. Além de querer que as ocasiões tivessem uma solução imediata, sofria pensando no futuro. O achismo de que eu não tinha ou teria capacidade.

Nós não só queremos, como achamos que temos o poder absoluto de controlar tudo ao nosso redor.

Mas de nada adianta querermos algo que não está ao nosso alcance. Aprendi que devemos aceitar a nossa pequenez. Quem somos nós para querermos algo quando nos convém? Nem sempre é fácil entender que não temos controle, por isso passei a falar para mim mesma em todas as situações que me desafiem: Entrego, Confio, Aceito e Agradeço. Esse exercício tem proporcionado um grande crescimento para mim. Entregue e aceite, tudo tem seu tempo certo e existe alguém cuidando e preparando esse momento ansiosamente para nós.

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar; tempo de abraçar e tempo de se afastar dos abraços; tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar; tempo do amor e tempo do ódio; tempo da guerra e tempo da paz. Que proveito tira o trabalhador do seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos humanos, para que nela se ocupassem. As coisas que ele fez são todas boas a seu tempo. Além disso, entregou o mundo ao coração deles. No entanto, o ser humano jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza. Compreendi, então, que nada de bom existe senão alegrar-se e fazer o bem durante a vida. Pois todo aquele que come e bebe, e vê o fruto do seu trabalho, isso é dom de Deus. Aprendi que tudo o que Deus faz é para sempre. A isso nada podemos acrescentar, nem disso podemos tirar, do que Deus fez para que o temam. O que já foi, é o que está sendo; o que existirá, já foi, pois Deus vai em busca do que passou.” (Ec 3, 1-15)

Não foram anos fáceis, mas desde a minha conversão, as coisas tem ficado cada vez mais claras. Não deixe se abalar pela insegurança ou pelo medo. Meu testemunho tem o intuito de possivelmente ajudar alguém que esteja passando por isso ou tenha dúvidas.

Não deixe isso te consumir, entregue e confie! Não se sinta sozinho e não se preocupe, todos temos desafios. Como disse Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4)

Fico a disposição para ajudar!

Por fim, como diz uma frase que admiro muito:

“A vida é uma escalada, mas a vista é ótima”.

Shalom!

Foto para Assinatura-min

Isabela Vieceli da Silva

Estudante de Arquitetura e Urbanismo, fascinada pelas mais diversas artes, e pelos pequenos detalhes, afinal não há nada que um pôr do sol não possa acalmar. Nas horas vagas, compartilho minha vida acadêmica no @isabelavieceli.arq

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