Serenatas de Natal: o amor jamais acabará!

Achei que seria mais fácil escrever sobre as Serenatas de Natal.

Achei que ao escrever as palavras sairiam tranquilamente dos meus dedos e da minha mente. Confesso que não foi assim, até pedi para aumentar o prazo de entrega. Meu coração ficou bem apertado ao pensar que neste ano provavelmente não teremos o privilégio de participar dessa ação tão rica, emocionante e que nos dá força, motivação e combustível para o ano todo. Oremos que até final do ano todos os problemas relacionados a pandemia tenham sido amenizados e quem sabe tenhamos a oportunidade de manter o projeto.

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As Serenatas de Natal do Emaús

No Emaús de Florianópolis, as Serenatas (sempre 4-5 noites no começo de Dezembro) servem para levarmos amor para quem precisa uma pessoa enferma ou seus familiares, crianças e idosos, mas, quando finalizamos a noite, descobrimos que fez um bem gigante e uma transformação em nossos corações de um jeito que só vivenciando pra saber. De qualquer forma, tentarei reproduzir em palavras tudo que sinto contando um pouco como comecei a participar desse projeto do qual hoje sou a coordenadora.

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Fiz o retiro de Emaús em 2015 e a vontade ao sair era de gritar para o mundo tamanha felicidade e gratidão por ter vivido os melhores dias da minha vida. Chegamos para o novo mundo (que se manteve o mesmo) com um olhar diferente.

Até as flores passam a ser ainda mais bonitas quando estamos apaixonados por Ele. Deus é bom o tempo todo e eu sentia a necessidade de tentar mostrar tamanha gratidão.

Envolvi-me em ações sociais e sempre acreditei que a fé sem obras é nula, jeito que busco mostrar o quanto O amo, praticando o bem e servindo para o bem. 

O retiro aconteceu em agosto e em novembro já participei da primeira Serenata. Meu coração batia acelerado, meus olhos marejavam a cada música, a cada sorriso de um familiar ou paciente. Deus estava presente naqueles olhares para nós, eu tenho certeza.  Ele faz tudo tão perfeito que era um misto de sentimentos, sensação de entrega a Ele, sensação de tristeza ao ver muitas pessoas doentes e sensação de alegria em perceber que levávamos naquelas músicas um pouco de esperança e fé que tudo se resolveria.

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Em 2016 fiquei ansiosa para a chegada das Serenatas, pra brincar com as crianças das casas que visitávamos, pra cantar ao lado dos idosos que tanto precisam de atenção e afago, queria muito pular e dançar nos shoppings e olhar profundamente nos olhos das famílias nos hospitais. Mais um ano especial, muitas pessoas participando desses dias e o sentimento de servir ainda mais forte.

Em 2017, recebi o convite para participar da organização, o que me permitiria a oportunidade de entender um pouco do que acontece por trás da ação mais especial de todas.  Aceitei e foi um ano teste, de bastante trabalho e com detalhes que não imaginava, mas que mereciam atenção. Em 2018 então assumi como coordenadora e contei com a ajuda de amigas incríveis que me auxiliam e colaboram em absolutamente tudo pra deixar a ação pronta e organizada.

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Os bastidores como coordenadora

Passamos por diversas situações que geralmente ficam nos bastidores, mas que contarei um pouco aqui!

Durante as visitas existe muita troca de mensagens para organizar os violeiros, as filas, pra não separar muito os grupos, nos dividimos no começo, meio e fim do gigante corredor pra deixar tudo alinhado. 

Existe muita conversa sobre cada postagem nas redes sociais e como elas serão feitas. Acontecem dezenas de ligações, conversas e e-mails para os locais visitados. Recebemos muitos nãos para visitas e entendemos que é a política do hospital, nova gestão ou por não ser horário apropriado.

Pesquisamos a distância de cada local para tentar deixar pontual cada visita. Já aconteceu de um local informar que não tinha nada confirmado quando já estávamos na porta e só depois confirmarem que estava agendada a visita (esse foi o momento de sorrir por fora e surtar por dentro haha). Existem discussões e mudanças de plano.

Mas… Nenhum perrengue, nenhuma discussão chega aos pés da alegria de tudo que vivemos!

Lembra que eu disse que Deus é bom o tempo todo? Ele é! E por isso Ele nos deu a oportunidade de presenciar momentos emocionantes.

Em 2018 visitamos o Hospital Regional e quando chegamos lá nos informaram que havia um jovem do Movimento Emaús – secretariado de Brusque – internado lá, em estado delicado. Nosso grupo inteiro parou em frente ao seu quarto e rezou. Rezamos de mãos dadas a Deus pedindo luz e saúde ao jovem, pedimos que o Espírito Santo cuidasse dele e que Maria passasse na frente.

Cantamos suavemente suas músicas preferidas e sentimos Deus ali, em cada união de mãos, em cada lágrima, em cada sorriso que os pais dele nos davam com olhar de esperança e certeza que Deus cuidaria de tudo.

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Temos um amigo no lar dos idosos que, quando chegamos com nossa alegria, ele aparece com seu pandeiro, seu uniforme completo do Avaí e canta todas as músicas, rindo e se divertindo em meio a gargalhadas e sorrisos. Tiramos algumas senhoras para dançar, percebemos que elas estão maquiadas e muito bem arrumadas e descobrimos que foi tudo para nos receber.

As crianças tocam meu coração de um jeito particular. É um momento que esqueço um pouco da organização da ação e apenas sinto. Sinto o olhar de cada uma delas de felicidade e timidez, sinto o sorriso envergonhado quando as convido pra dançar, sinto a presença de Deus em cada abraço. Quando elas estão doentes e não podemos as tocar, meu coração fica minúsculo e rezo que Maria cuide delas assim como cuidou do nosso menino Jesus.

As Serenatas acontecem apenas durante uma semana, mas seu espírito e sua intenção devem ser vividos durante em toda nossa vida. Devemos ser e sentir música. Precisamos perceber o outro. Perceber de verdade, seu olhar, suas angústias, seus medos e suas dores.

Cada um de nós tem importância de Cruz pra Jesus, Ele morreu por nós e por amor, o maior e mais lindo amor de todos. Com todas as graças e bênçãos que nos foi dada, temos a missão de levar amor ao próximo, em forma de música, de poesia, de sorriso, e, quando isso tudo passar, de abraços e beijos.

Maria Luiza Savaris Gutierres

Pedagoga, filha de José e Nádia e gêmea de Eduardo. Tem a certeza que o Espírito Santo age de forma concreta e que Jesus é o caminho, verdade e a vida.

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