Análise da música: “Onde Andará Deus?”

Ouça a música:

“Quando às vezes pergunto

Onde andará Deus?

Preciso encontrar

Peço ao tempo e ao vento

Busquem pra mim Deus

Preciso encontrar

Então Deus vem

De um modo que eu nunca imaginei

Vem em ti, mesmo em mim

Deus sempre esteve bem perto de mim

Meu Deus que eu nunca esqueça

Que a Tua presença é sempre real

Mesmo que eu não te veja

Faz que eu caminhe no teu ideal”

Felipe Assumpção Gertum e Francisco Fossati
(Movimento de Emaús – Secretariado de Pelotas-RS)

 

Antes de mais nada gostaria de agradecer de coração poder estar contribuindo com mais uma gotinha nesse oceano de fé e amor que está sendo o blog Reflexão Católica.

Desde que eu fiz o Curso de Emaús, em 2013, essa música sempre me chamou atenção. Eu saí de lá buscando ver Deus no mundo e viver uma vida que O agradasse. E pra mim é disso que essa música trata: do processo de conversão. E é disso que eu vim falar aqui.

Bem, todos ouvimos falar de Deus. E parece ser natural do ser humano (ou uma consequência social) que busquemos Deus concretamente. Todos somos um pouco São Tomé, queremos ver para crer. Mas Deus não funciona bem assim.

A vida cristã não é um caminho reto até o céu. É, na verdade, o atravessar de um grande deserto. Não há um mapa que sirva para todos. O caminho particular de cada um até Deus é moldado por Ele mesmo. A Igreja nos fornece todo aparato necessário para nos moldarmos ao caminho, mas ele em si é único para cada um.

E bem, é um deserto. O que nos guia para frente é a fé. Poderíamos nos desviar pelos caminhos do mundo, dar ouvidos às seduções que nos impelem a sair do caminho e viver uma vida confortável. Poderíamos nos contentar com os oásis onde reabastecemos as energias. Mas na verdade, é um deserto. Somos a religião da cruz, não do conforto. Nos colocamos a caminho, buscamos Deus no caminhar. Temos que ser uma Igreja em saída, como diz o Papa Francisco.

E no meio desse deserto, mesmo seguindo o caminho, é normal que nos perguntemos “Onde andará Deus?”. Porque afinal, seguimos, seguimos e nada. Pedimos ao tempo, que consome nossa vida e ao vento, que por vezes é tão severo conosco nesse caminho, que todo esse sofrimento e essa dúvida nos traga Deus.

E bem, Ele vem. Não porque estava escondido e apareceu, mas porque estava ali e finalmente conseguimos vê-lo com os olhos da fé. Na verdade não é Deus que se esconde, somos nós que não O vemos.

Ver Deus nas coisas é um eterno treino. É contemplar a imensidão do deserto e perceber que a vida não seria possível sem essa força criadora. É perceber nas plantas que apesar de todas as intempéries, florescem. É ver como os animais se desenvolveram para aguentar viver ali. É analisarmos os encontros da caminho e perceber que aquela pessoa nos falou o que precisávamos ouvir, porque Deus vem no outro também. É ver na adversidade a forma que Deus encontrou de nos aproximar dEle.

E saber que a todo momento Ele age para nos levar para perto dEle. Porque não há nada que o Coração de Deus deseje mais do que trazer de volta seus filhos perdidos. E o deserto é um meio para esse fim.

A nossa vida não acaba no deserto da vida terrena, cheio de sofrimentos e provações. Ele acaba na morada celeste onde finalmente contemplaremos infinitamente a face de Deus.

Mas o Pai, quando mandou Jesus até nós, tinha um plano de salvação para a humanidade. E isso envolvia instituir o Santíssimo Sacramento do Altar. E na Eucaristia encontramos a presença real de Deus. A cada Missa o sacrifício de Jesus é renovado e temos a oportunidade de comungar para estarmos em união com toda a Igreja e, principalmente, com o próprio Deus.

E isso é um mistério da fé. A Eucaristia é o mais sublime deles. E, por isso, não foi feito para a compreensão racional, mas para a contemplação e adoração humanas. Cabe a nós de fato nos lembrarmos que essa presença é real. E aceitar que mesmo não vendo de fato essa transformação, possamos senti-la em nossos corações. E que ela nos dê forças para continuar atravessando o deserto depois desse oásis de presença que é a Sagrada Comunhão.

Quando reconhecemos que Deus está presente na Eucaristia, isso parece simples e complexo demais. Em um dia comum, por quantas Igrejas passamos? Deus habita de fato em todas elas. E Ele se dá em forma de Pão do Céu a todos os que se aproximarem dEle na mesa eucarística. Ele quer cear conosco tantas vezes quanto decidirmos aceitar o Seu convite. E devemos vigiar continuamente para estarmos em condições espirituais propícias para isso.

Se alguém muito famoso que gostamos muito viesse até nossa cidade, que sacrifícios faríamos para poder encontrá-lo? Como organizaríamos o nosso dia? Quais seriam as nossas prioridades?

E o que fazemos de esforço para ir ao encontro de Deus na Santa Missa?

“Pois onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração” Mt 6,21

E por fim, um exemplo prático sobre ver Deus nas coisas do caminho. Estava conversando com meu irmão e ele me disse que daqui aproximadamente 5 bilhões de anos o sol vai acabar, criar um buraco, sugar todos os planetas e será o fim. E essa informação já era conhecida, mas me causou temor instantâneo. A vida, o mundo, a galáxia irá acabar. E imediatamente pensei “mas que tolice. Isso acontecerá daqui 5 bilhões de anos, eu não estarei mais aqui”.

Esse temor que se instaurou em mim me mostrou mais uma vez o desejo de eternidade e infinitude que habita no coração de cada ser humano. Porque queremos estar vivos sim, isso é maior que nós. Mas nossa vida se completará na eternidade onde contemplaremos infinitamente a face de Deus. E para isso devemos atravessar esse Deserto. Suportando as tentações, cultivando as virtudes e pedindo a Deus que, se for da Sua vontade, nos dê a consolação de O enxergarmos no caminho. Sempre com a certeza de que Ele se faz presente no nosso caminho de forma real a cada comunhão.

“Eles contemplarão a sua face, e o seu Nome estará sobre as frontes dos seus servos. Assim, já não haverá noite, nem necessitarão eles da luz dos candelabros, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará, e eles reinarão para todo o sempre.” Apocalipse 22, 4-5.

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Camila Maçaneiro

Acredita que se reconhecer filha de Deus é começar a caminhada dando sentido para a vida buscando as coisas do alto. Entre projetos e viagens, costuma documentar sua caminhada espiritual no @naotaodomundo

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