Por que as amizades em Cristo são diferentes?

Creio que a própria pergunta já tenha a resposta: é diferente, porque tem Cristo! E a partir disso, a igreja – no meu caso, junto com o Movimento de Emaús – tem um papel crucial nessa amizade centrada em Jesus Cristo e no encontro com cada pessoa.

Antes de começar, quero me apresentar: meu nome é Pedro, sou nascido em Joinville mas moro em Florianópolis desde 2017, pois estudo na UFSC. E creio que seja no início que devo fazer o seguinte apontamento:

Considero ser tímido (embora haja pessoas que digam o contrário) e isso tem grande influência em minha vida, pois desde sempre tive uma dificuldade em iniciar uma conversa com alguém desconhecido. Sim. E isso acaba também, sendo uma forma de não criar laços tão profundos com as demais pessoas. 

Tanto que não tenho amigos de infância, ou então de longa data, como eu vejo as pessoas comentarem por aí. A questão talvez seja que, eu não era de ter a necessidade de me relacionar com amigos fora da escola. Tanto é que não mantenho contato com meus amigos do colégio, que hoje considero mais “conhecidos” que dividiram a mesma sala de aula durante os anos.

Minha família já havia feito o curso de Emaús e por mais que me convidasse, eu não tinha o desejo de fazer.

No início de 2017, comecei a participar das reuniões de Vivência de fé do grupo Santa Catarina de Alexandria do Secretariado de Florianópolis, por convite/insistência da minha irmã antes mesmo de fazer o curso. E na metade do primeiro semestre daquele mesmo ano, eu estava participando do 85° Curso de Emaús do Secretariado de Joinville. E o grupo Santa Catarina teve grande influência para essa tomada de decisão que mudou a minha vida definitivamente.

Image 2020-06-21 at 11.57.35 AM

Foto do meu Curso de Emaús. Meu timoneiro (Ródney) está no canto superior esquerdo, de camiseta preta. (Secretariado de Joinville)

Voltei para Florianópolis, e como já era de se esperar, as amizades feitas durante o curso permaneceram em Joinville!

A minha convivência com os emauistas de Joinville era à distância, pois não conseguia estar sempre presente nos encontros e escolas missionárias feitas. Me esforçava e, quando dava, não hesitava em estar junto. O que eu não abria mão realmente, era de estar nos cursos. Tanto que dos cinco cursos seguintes do Emaús Joinville, em quatro eu trabalhei. E era assim: tinha minhas amizades, mas me sentia distante, embora estivesse presente.

Image 2020-06-21 at 11.59.42 AM

Da esquerda para a direita: William, Leonardo, Guilherme, Ivan, Jeferson, Eu (Olandir e Otávio ao fundo). Monitores do 88º Curso de Emaús de Joinville em 2018. (Secretariado de Joinville)

A minha relação com as pessoas do Emaús de Florianópolis embora fosse constante, entre reuniões e escolas missionárias, ainda havia a barreira da comunicação, de ter uma primeira conversa, da insegurança de falar com um novo alguém. Começou a melhorar quando, no mesmo ano de 2017 entrei também para o grupo Nossa Senhora de Fátima, um grupo de universitários e professores que se reúne na UFSC. Estar aberto a algo novo fez com que aos poucos eu começasse a interagir mais. Dando pequenos passos. E aos poucos fui conhecendo melhor e mais pessoas.

Image 2020-06-21 at 12.03.41 PM

Reunião conjunta entre Santa Catarina de Alexandria e Nossa Senhora de Fátima (Secretariado de Florianópolis)

“Pertencendo” a dois secretariados, eu não me sentia de nenhum!

Justamente pela falta de “convivência integral”, chegou um momento, em 2018, que eu não me sentia nem de um – pela distância, que era algo que estava além do que eu pudesse fazer, mesmo participando de vez em quando – e nem de outro – apesar de estar semanalmente presente nas atividades exercidas pelo emaús de Floripa.

As coisas começaram a mudar no ano seguinte, quando eu assumi a presidência do grupo Santa Catarina de Alexandria e, de uma forma mais efetiva, comecei a me aproximar mais e melhor dos emauistas de Florianópolis. 

E foi no início de 2019 que conheci um grupo de pessoas que mudou a minha vida. E eu não exagero quando digo isso!

Image 2020-06-21 at 12.04.27 PM

Confraternização de fim de ano do Departamento de Artes. 2019 (Secretariado de Florianópolis)  

Eu sabia da existência do Departamento de artes e sempre quis fazer parte, mas por não conhecer ninguém que integrava esse departamento, acabou que eu não entrei. E no começo de 2019, eu entrei. Com coragem.

E aos poucos o grupo foi crescendo, criando vínculos de amizade mais intensos. Deixamos de nos reunir somente quando havia alguma demanda para o departamento. Nossos encontros passaram de reuniões com pautas definidas, para encontros informais: as chamadas “Reuniões sem pauta”. 

Pois crescemos na amizade. Sentimos prazer em estarmos reunidos. Temos zelo uns pelos outros.

Nossas reuniões sem pauta tem um pouco de tudo, mas algo que não falta e é muito importante para nós, é nossa vontade de estarmos reunidos. Não aqui, mas no Céu! 

Image 2020-06-21 at 12.04.43 PM

Departamento de Artes durante as Serenatas de Natal no Continente Shopping, 2019. (Secretariado de Florianópolis)

E não tenho dúvida de que foi Deus que as colocou em minha vida. Nossas conversas conseguem ir de “risadas altas” para “momento de crescimento espiritual” num estalar de dedos. Rezamos juntos e uns pelos outros, e rezo por elas também, pois no meu ponto de vista, existem várias maneiras de expressar o amor e carinho por alguém. Uma delas é por meio da oração.

E com elas eu aprendo demais, de uma forma que eu não seria o mesmo que sou hoje se assim fosse diferente. Ainda tenho muito o que aprender e, com esse grupo, tenho mais vontade ainda de amar e buscar a Cristo, como elas amam e buscam. 

Depois dessa pequena história de como eu conheci algumas pessoas que são caras na minha vida, vou voltar no assunto.

Para amar, precisamos conhecer o que amamos. E no livro O Encontro, de João Mohana descreve muito bem o “conhecer”:

“Na linguagem bíblica o verbo conhecer não indica uma atividade apenas intelectual. Não. Conhecer é uma operação existencial, total. Conhecer é uma vivência inter-relacional  plena, um engajamento personalizado a partir do nível biológico, passando pelo psicológico e culminando no espiritual. Tudo simultaneamente. É o sujeito inteiro que conhece. Não apenas a parte intelectual.” (1984, p. 97)

Nesse trecho, é descrito como devemos conhecer a Cristo. Mas, se Jesus está presente na outra pessoa, essa é a maneira que eu preciso também conhecê-la. E só assim passarei a amá-las. 

Talvez só assim consigamos encontrar numa amizade esse amor genuíno, de entrega, legítimo. Pois queremos verdadeiramente o bem de quem nos tem por  amigo.

Assim como Cristo se entregou numa cruz puramente por amor, em uma amizade, precisamos nos entregar com um amor autêntico. Pois se verdadeiramente quero o bem de quem me faz ser alguém melhor, é preciso que eu dê o meu melhor.

É necessário ter vontade para conhecer, para estar junto, para amar. Existem mil motivos que unem duas ou mais pessoas num círculo de amizade. Mas sem dúvida nenhuma, o melhor motivo de todos, sempre será Jesus Cristo. Pois Ele é o Bom Pastor. E como boas ovelhas que somos, precisamos permanecer em rebanho. Em um bom rebanho.

E para encerrar, trago uma frase de São João Paulo II sobre Amizade, que li agora, enquanto terminava de escrever esse texto, e reflete muito bem com o que acabei de testemunhar aqui:

“A amizade consiste em um compromisso pleno da vontade em relação a outra pessoa, em vista de seu bem.”

Fica conosco Senhor!

Image 2020-06-21 at 12.05.02 PM
“Eu sou o Pedro Wolter”. Fiz o Emaús em Joinville, mas participo em Floripa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s